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A mostrar mensagens de 2024

Uma frase económica mítica: para criar distribuir riqueza é preciso criá-la primeiro.

 No debate orçamental a principal medida do governo AD2024 foi baixar o IRC. A justificação desta medida: a) a concorrência internacional, já há países com taxas de 15%; b) ao aumentar os lucros retidos pelas empresas aumenta-se o investimento e desta maneira aumenta-se o crescimento económico, logo a riqueza criada. Cá está: primeiro cria-se riqueza, só depois se deve fazer na sua redistribuição. Aparentemente esta frase faz todo o sentido. Aparentemente, pois há hipóteses que para ser verdadeira não estão explicitadas, uma delas é que essa redistribuição não agrave a repartição de riqueza.  Será que a repartição de riqueza, isto é, o que cabe da riqueza aos mais ricos e aos mais pobres, pode ser agravada? Claro que pode, se a percentagem de crescimento da riqueza dos mais ricos for superior ao crescimento da economia . Foi isto que Picketty provou na sua tese de doutoramento, «o capital no século XXI». Nos países por si estudados, claro a França, provou que os mais ricos têm...

Uma prova contundente da degradação subtil da educação.

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  Esta notícia de primeira página alerta-nos para que a sociedade portuguesa está-se a tornar injusta socialmente, na medida em que o elevador social da educação está a implodir. Vejamos as causas: 1. Os projetos educativos que vieram retirar o rigor ao ensino, mantendo os exames, potenciam uma adaptação dos alunos mais ricos e com capital cultural familiar, que através das explicações ou de acompanhamento familiar, contornam os mecanismos de facilitação do sucesso escolar, lutando desta forma contra a degradação do ensino.  Os instrumentos usados vão desde o projeto Maia, que diversificação as rubricas de avaliação em contraste com o que é avaliado nos exames; ao colocar no professor o ónus da prova do insucesso do discente, levando a que os professores prefiram dar o 10 a preencher a papelada. 2. O agravamento das condições de vida, como a subida da habitação ou quartos, que excluem muitos alunos da inscrição no ensino superior, mesmo depois de terem garantido o acesso. Conc...

A minha experiência com a estomatologia (análise económica).

Frequento uma dentista muito simpática, com convenção com a ADSE através do hospital privado onde trabalha. Só que precisei de fazer uma endodontia (desvitalização) e ela não faz, não percebi se era desejo próprio ou imposição da organização. É que esta técnica não é participada e a mudança de médico pode ser estratégia para «desligar» a convenção. O preço era de 79€ por sessão. Preço total 3 sessões cerca de 240€. Como tinha de mudar de médico procurei alternativas, noutro hospital privado, quem me atendeu também era generalista e quem faria a intervenção era um outro/a colega. O orçamento da endodontia, com 2 canais, 270€. Mas pedi também um orçamento total, cerca de 2500€. Depois ao passear pelo shopping encontrei um grupo de clínicas dentárias que fazia orçamentos gratuitos naquele mês, talvez por ter mudado de nome, o tratamento endodôntico, ficava por 85€, mas o tratamento total da boca, ficava por cerca de 4500€. Claro que nos orçamentos há diferentes soluções, uma tinha só um i...

Um caso de um trabalhador que vai votar Chega

 Venho trazer-vos aqui um caso de um trabalhador, daqueles que ganham menos de 1000€, que me confidenciou que vai votar no Chega.  Este trabalhador a poucos anos da reforma queixa-se de não atingir o escalão máximo que a carreira permite, porque nas classificações tem sido ultrapassado por colegas que fazem muito menos.  Este trabalhador gosta de fazer comentários políticos e participar em sessões públicas da câmara e, como lhe disseram vários superiores, isto invalida que seja candidato a melhores classificações. Entretanto, com a política salarial dos últimos anos, em que subiram os salários na base, viu os novos ficarem com rendimentos quase idênticos aos seus, o que constitui outro fator de revolta, ou seja, temos trabalhadores recém entrados a ganhar quase tanto (50/70€ a menos) como um trabalhador em fim de carreira. O que é que este caso nos diz: a) em primeiro lugar, que o mérito é desqualificado quando não há alinhamento político. É este compadrio que afasto...

Programas eleitorais e avaliação externa na educação

 Alguns programas eleitorais continuam a defender a avaliação contínua como única forma de avaliação, isto é, o fim das provas de aferição e exames. Acho que este tem sido um dos fatores que contribuiu para a degradação do ensino e é facilitadora. Em primeiro lugar porque não permite fazer comparações intertemporais. Se deixamos de perceber o que se passa com ao ensino, não podemos identificar os problemas, nem ter políticas corretivas. Em segundo lugar, a avaliação externa força os alunos a empenharem-se para se superarem, ou a ter ajuda, via explicações ou a criação de grupos de recuperação. Também é um caminho para uma avaliação mais objetiva dos professores e diretores, em vez da atual subjetividade, em que o resultado dos alunos não conta. Corrijo, até conta negativamente, pois os professores que assinalem alunos com pouca progressão, ficam sujeitos a ter reuniões de avaliação repetidas e ficam assinalados por diretores que querem apresentar bons resultados.  Já agora, ...

Ainda a propósito dos elétricos.

Completando o comentário do último post, parece que o grupo da VW, Seat e Audi, consegui construir uma bateria elétrica sólida, o que pode ser um «game changer» na concorrência de elétricos: A maioria dos dispositivos eletrônicos e carros elétricos usam baterias de íons de lítio recarregáveis ​​para fornecer energia.  Como as baterias de estado sólido são construídas de forma semelhante, mas usam um  eletrólito sólido em vez de um em estado líquido  .  Esses eletrólitos podem ser feitos de materiais primas comuns, como cerâmica ou vidro.

O mercado dos carros elétricos: oportunidade aproveitada pela China

A mudança de paradigma tecnológico com os carros elétricos foi uma oportunidade para se questionarem as habituais marcas dominantes. Assim, surgiu a Tesla que se tornou um dos principais players no segmento médio e alto. Sendo uma marca americana aproveitou para contestar as marcas europeias. Com dinâmica para descer o preço para acompanhar a concorrência. Mas, se a Tesla e os americanos conseguiram liderar num primeiro impacto, com a mudança tecnológica para a eletrificação, a seguir vieram os chineses, que aparecem a surfar a segunda onda, entrando também no segmento baixo e médio/baixo. São exemplo a polestar, a BYD, Geely que comprou a volvo, a SAIC_GM_Wuling, GAC Ailon, Chery, Changan, Hozon, Li auto. A proliferação de novas marcas mostram a tentativa de agarrar a oportunidade aberta por esta mudança tecnológica. (Não descuramos as ajudas estatais e a criação de concorrência desleal, que a Comissão Europeia parece estar atenta). Na Europa os grandes players têm respondido com mode...